Wednesday, July 26, 2006

Música nova.

Menino calado.

Quem te vê assim sentado,
Mal sabe que andas a viajar, parado no teu canto
Horas e léguas daqui...

Quem pensou que a vida se deixa namorar,
Deixou tanto drama no teu drama que outro alguém...

Perto de ti, te abandonou,
Dono de um vazio reincidente,
Vivendo a alegria do acidente.

Apenas falar do que só sabe ver,
Pra ti que tem força pra saber que existe,
É fogo na roupa que o teu silêncio veste,
E pimenta no refresco do ar que teus olhos bebem tão bem, também.

Ouviu, quando O silêncio tinha razão?
Em vão, por acaso ou sorte, sei lá:
Lá vem ele poder, com seu poder de continuar a continuar em nós...

Monday, July 03, 2006

Passado.

Voz desabafada


Novamente o presente converte minha fronte em drama.
Segue de mim, ou para mim - ou os dois-, uma crescente força silenciosa na tensão do cenho, na medida em que algo escuto.
Mas, onde cabe insensato potencial dramático, criador cruel de uma razão corrosiva, e ditador da realidade vivida,
senão nos olhos fundos e fatalmente escurecidos pela carência dalguma vitamina de revelevância, daquele animal, entusiasta da vaidade
por acidente da natureza, vivente íntimo do acaso por sorte?

"O azar é meu, se você o quiser, azar."

Friday, June 30, 2006

"Quem tem consciência para ter coragem? Quem tem a força de saber que existe?..."

Uma poesia ártica,
claro, é isso que eu desejo.
Uma prática pálida,
três versos de gelo.
Uma frase-superfície
onde vida-frase alguma
não seja mais possível.
Frase, não, Nenhuma.
Uma lira nula,
reduzida ao puro mínimo,
um piscar do espírito,
a única coisa única.
Mas falo. E, ao falar, provoco
nuvens de equívocos
(ou enxame de monólogos?)
Sim, inverno, estamos vivos.


Paulo Leminski.

Wednesday, June 21, 2006

Ouvindo Portishead [only you].

Tela-escura.

Agora não tem poesia.
Em letras brancas e estilizadas, surge e progride verticalmente numa tela escura,
poesia alguma: um derradeiro final - estado de apogeu da ânsia, pelo Poeta imaginado
e sofrido por vaidade - para um esboçado-feliz-açucarado começo.
Aquela canção soturna - exaustivamente reproduzida em seus ouvidos - que outrora escutara
um trecho em virtude da boa e velha memória fonográfica, começava, agora, do meio pro fim, desde o início.

Sunday, June 11, 2006

Ex-fera de quatro rodas: Par polido, Par moído.

Te acalma, Victor.
"Tá dormindo", "foi ensaiar", "saiu agora", "não sei aonde".
Cuidado com o tempo, esse mal tempo massacrante:
cotidiano-esmagador, olho-achatado da visão arcana do ser - sentir.
Te acalma que falta nada pro passo seguinte. O relógio no alto estalou.
É o marco zero do teu vôo derradeiro. "Pousa em mim, que nada espero de ti".
Alivia tua ânsia no pouso e em partida - gozo do momento -, mas não te esqueces:
A viagem é uma só.

Máquina do Tempo

Você é tudo que eu tenho.....
Desde que perdi a minha tristeza!

neruda.

Tuesday, May 23, 2006

Absorção.

Todo céu,
Qualquer inferno,
Minha alma nem sempre é tão forte
Pra suportar.

Meu poético suporte, medo maior,
É pois estar para tudo que há na vida:
Infinito amor, morte,
Acaso de sina ou sorte...

Thursday, May 18, 2006

Sobre alguma coisa em torno do estranho destino das coisas serem extamente o que são.

A aranha no teto do banheiro.
Ela tava lá - ainda deve estar - parada, de cabeça pra baixo, com a patas no teto...
Isso é "minha" opnião. A conclusão limitada de um homem que acha que sabe que sabe.
Fui ao banheiro, dei uma bela de uma mijada, e encherguei a aranha, só. Encherguei a aranha... Bem, há quem diga que só enchergamos aquilo que queremos ver. A aranha no teto então, parecia-me do tipo paciente... do tipo paciente mas que "não leva desaforo pra casa". Ou ainda, acabara de levar desaforo pra casa, e ali aliava determinada rabugice cotidiana ao seu signo regente - capricónio, provavelmente. Mas possivelmente, dadas as circunstâncias, probabilidades, inconstâncias, e o horário, ela só estava tirando uma cesta.

Sunday, May 14, 2006

Partes Coração.

meu coração bate tantas vezes...
foge ao pranto,
é no peito,
foi de tantos,
foi minúsculo,
outro músculo é .

(...)

coração...

prefiro de frango.
sem dono, sem pele,
de bandeja, na boca.

rasgo no dente,
pressinto-o no cheiro,
mastigo inteiro,
não restam pedaços...

(...)

coração de pedra
nada espera
me corta a emoção
despedaça a visão dos meus sentidos
e cega o olhar em procura a ela

coração de ferro
fere e cura em brasa
candura dura e nunca vem também
esfria e espera
na esfera que não o atravessou além...

Partes coração em parte.
Emoção,
para o meu amor passar,
separa...te de mim.

Thursday, May 04, 2006

Começo de Semestre.

04 de Maio. Começo de semestre. Começo de uma porrada de coisa... Coisas novas, antigas, novas metidas a antigas, e antigas metidas a novas, as de sempre, as de vez em nunca, etc. Sempre acabo me impressionando como as lentes da razão me causam sensação de Dejavour. Diante de gente que eu nunca vi, e acabando julgando, premeditamente, conhecer. Deve ser um tipo de vício - no meu caso -. que nosso mecanismo de defesa acende assim que é intimado por uma presença estranha. Como, para um paraquedista calvo e profissional, que num salto dá de cara com um E.T. de rastafari, deslizando suave de sundboard pelo vento, com uma camisa do Led Zeppelin . Isso ( o desconhecido... essa minha sensação, ao mesmo tempo de um dejavour e marasmo) me lembrou Lenine: "É a Lei, ninguém faz idéia do quê vem lá". Se fosse diferente? Dá até medo de imaginar... Mas esse é um trunfo da natureza que acho fantástico. Na minha modesta condição de homem que pensa que sabe, que sabe, também torna-se exaustiva: Começado, não há final.

Thursday, April 20, 2006

Esfera de rodas.

É preciso esquecer o passado para viver o presente.
Não, aliar-se a indiferença, ou dar um passo adiante do que for, em qualquer direção.
Como se, um simples descolcar-se fosse transpor os erros ou acertos pra um local a sete
chaves.

É preciso parar.
Olhar para dentro, para trás, para frente, enchergar a vida que existe fora de nós.

É preciso estimular a cegueira.
Enchergar que os mesmo rostos, os mesmo mundos, estão
com os sentidos igualmente abalados, pois os sentidos sempre se põe abalados.
Estão em constantes colisões sísmicas, porres de vinho, primeiro beijo,
segunda fase de química.

É preciso lembrar.

Friday, April 14, 2006

Mussitação...

talvez seja o silêncio
essa música triste tocando repetidamente
eu que isento o presente ouvindo mil vozes e ausências
dalgum canto o calor moderado que anuncia chuva
esse momento escuro na clareira dos sentidos
aquele que foge e chega em mim
os mesmo erros
minha coluna vertebral
essa memória viva que mata e doa sem morrer jamais
aquilo que nunca pode ser dito

Saturday, April 08, 2006

e...

Caminhada

eu que tanto deixei
hoje achei de me perder em ti

fazer-te ouvi o que eu sinto
num idioma que inventei

eu que tanto fui
hoje esqueci tudo o que não era teu

entreguei ao te enchergar
minha pele ao avesso na palma das tuas mãos

nos teus olhos aos cacos vidro ante um começo
desconhecido que reconheço é o amor

não lembrei a felicidade esquecendo a dor
por um instante não fui instante anterior

era calor, era calafrio,
era um caminho, era ela.

Saturday, April 01, 2006

Voz de quem

De quem é minha voz
Ela ouve e não me avisa

O novo mesmo beijo que beijei
A antiga nova pessoa que eu já vi
De quem é a voz dessa vez
Nas vezes, nas vozes, que ouvi

Saturday, March 25, 2006

Hoje não tem título... Oo

É um saco.

Você tem uma idéia, liga o pc, pensa "pow, tenho de por um título", deixa outros blogs, flogs, qzrogs e bulowigsss tomaram a dianteira do pensamento e do micro, e enquanto isso o que queria escrever, dizer, ser regristrado, "pega o beco", "droba à esquerda", "não tá mais nem aqui".

Hoje tive um dia agitado, nessa minha consciência pseudo-cosmopolita litorânea. Mas queria dizer que ter um blog é algo fantástico. Não há segredo. Você escreve, descreve, blá blá blá, não diz nada, fala mais do que deveria, e está tudo aí... pra quem quiser ler. "Infinito Particular", diria srta. Marisa (claro q a ouuuuuço...).

Aliás, alguém ae já ouviu esse novo CD dela? Infinito Particular. O nome já sugere um atrativo. Mas não é interessante supor que há tantos infinitos particulares por aí quanto há pessoas?!

Ínfimos infinitos particulares, destribuíbos por todos os cantos, encantos, e lares. Portas de entrada e saída, que só a cada um foi confiada determinado caminho e responsabililadade.

Infinito, infinito... que idéia mais - infinito particular ? -, ilustraria tanta beleza e indagação!?

Enfim, vos deixo com algo de alguém que talvez saiba do que fala:

"Pois viver deveria ser - até o último pensamento e derradeiro olhar - transformar-se."
Titia Lya Luft.

Monday, March 20, 2006

Sonho pós-carnaval.

Era carnaval. Numa das duas casas onde a Tia Jacinta nos acomodou, eu andava de um lado para outro olhando o que os outros
estavam fazendo. Eram eles: Baby, Daniel, Cabeça, Jamille, Rafamen, Dourado, Carlim e Divino. Parecia haver "mais alguém" na
casa. Alguém cujo nome não era do nosso conhecimento, no entanto, "A pessoa" não nos era estranha nem ausente.

Lá fora, na rua, por volta das 17hrs, as pessoas começavam a se agrupar e preencher as ruas - as calçadas, agora, gozavam
solidão em sua liberdade, pois em algum ponto, desabrocharam desinteressantes, feito flor sem espinho.

Resolvemos dar uma volta. Logo defronte, pessoas e pessoas logo providenciaram ansiedade nos meus olhos.

Alexandre Frota está aqui? Nesse carvanal litorâneo entre tanta gente, no nosso carnaval?

Ele me conhece. Não ouvi pronunciar meu nome, mas eu sei. Troca uma gaiatice ou outra comigo. Seria carnavalesca?
Lhe indenizo a oferta do bom humor com humor. Seus amigos, que ao lado, em pé, estavam, riem bastante e até mais que nós.

De algum lugar escorreu por todos os cantos, a noite. Escuríssima. Somente clara, as vontades.

Em torno da Tv, na área da frente, num desses sofás que contornam a mesinha de centro da sala, entre almofadas e risos, as
horas da primeira noite passeavam conosco, de mãos dadas e passos curtos.

Outrora, ainda a tarde, observei a casa, de pé na linha do portão de entrada. Eu já havia visto a casa. Até estado nela.
Nos conhecemos em outra ocasião. Mas não num carnaval, ou praia. Nós, eu e a casa, éramos
os mesmos de antes, a vida que ali inisistia é que não.

Então, alguém força com sutileza o portão de entrada. Eu sabia que isso aconteceria. A casa e eu nos conhecíamos.
Mas como? Sem palavras ditas quase por automatismo, a alguém que queremos conosco sem precisar?

Era um ladrão. Na realidade, não era. Só mais um infeliz a mando de outro infeliz, que
acata ordens dum terceiro infeliz de raciocínio mais rápido.

Quando esse enfim arromba a fechadura, é surpreendido por mim, Daniel, Baby e Divino.
Estávamos juntos a porta de entrada, esperando entender o incoveniente.

O infeliz apovora-se. O que ele esperava? Mulheres semi-nuas, sabor jujuba, completamente eembreagadas?

Divino, o mais próximo da entrada, é surpreendido por uma gravata do Incoveniente. Na mão do pilantra,
uma tesoura de podar arbusto ajuda a estender o drama nos olhos dos que assistiam - os mais apavorados, talvez -
o episódio inusitado: Dourado, Carlim, Jamille, Rafamen e Cabeça.

A aparente existência do "sem-nome", se intensifica na momento da tensão. Eu sinto. Enfim surpreendo o ladrão e resgato o Divino,
em seguida, atinjo o braço esquerdo do infeliz com a tesoura de podar. Esse então, corre absurdamente rápido, não o alcanço.
Ele fogiu. Nós ficamos bem.

É tarde novamente. Quero encontrar algo, ou alguém, que não recordo direito. Certo apenas, me é, a falta desse "algo". Cruzo
com alguém assitindo Tv enquanto atravesso as divisões da casa, acho que é o Carlim.

Saio pela porta da frente, atravesso a calçada, prossigo caminho pela rua. Faz muito Sol mas o calor é modesto. Dobro na
primeira rua a direita, é o rumo do mar. No momento, enchergava de longe o mela-mela que dava as caras na orla.

Achei o Dourado. Sentado numa cadeira de plástico - dessas vermelhas feitas pra quebrar, e com merchan de cerveja. Ele toca
uma composição de acordes soltos sem rigor de tempo, num violão velho acomodado no colo. Acho que é o dele.

Então, ao me aproximar ainda mais, escuto ele dialogar com alguém em tom de graça, porém sério na imposição. Quem seria?
Um amigo desses antigos a quem acabamos por devotar respeito por sempre acabar ali, diante de nós, compartilhando sutilezas
e conversas que nunca terminam?

Era uma cabra azul! Os dois conversavam algo sério e mantinham uma frequência calmíssima. Não sei realmente se era uma cabra.
Acho que era mais como uma ovelha. Talvez tivessi chifres, não lembro.

Fiquei desconcertado com a imagem. Dourado conversando com uma cabra azul que talvez possuíssi chifres? (Hein?) Eu queria e sabia
que não podia rir. Ri assim mesmo. Não suportei o peso, no abdômen, no olhos...

Retruquei a cena em tom de ironia de criança precoce. "Eu tô atrapalhando alguma coisa?", disse.

A cabra, irônicamente com a áurea de quem não quer ou pode perder a esperança na boa índole dos homens, responde, "Talvez você
atrapalhe". Nesse momento, respiro um ar frio e profético enquanto o dito cabreiro ecoa nos meus ouvidos. Dourado ria sutilmente
apenas.

Continuo a caminhada até a praia. Quando haveria de achar o que me guiava até ali, e adiante? Ali? Adiante?

Chegando num aglomerado de pessoas entre alguns coqueiros, alguém me suja de maisena. Dourado, Cabeça, Divino e Carlim, de
repente seguem logo atrás, me viro bem rápido e os vejo perto.

De repente estou de pé sob um quadrado de concreto na areia. Um único quadrado, não um caminho composto por vários quadrados pra chegar
e ir a algum lugar. O barulho agora está longe. Ainda vejo as pessoas, porém menores, e não as ouço. Ainda é a mesma praia, o mesmo Sol. Só não
é o mesmo, o vento. Sinto que entre os meus dedos tecem constantes luvas, que vez ou outra, devem revestir e proteger parte do mundo de uma ameaça
invisível.

Uma imagem infante parece me dizer que ainda não achei o que estava procurando, ou o que me procurava. Maior agora, sentia a
mistura de uma nova busca e descoberta que iniciava ali.

Thursday, March 09, 2006

Bip!

Fui ler Saramago,

Deixe seu recado após o sinal...

Sunday, March 05, 2006

Outra máscara.

de mim caiu mais uma máscara
o que fica após? - existia algo atrás que ali ficava antes da queda? -
outra máscara a espreita da frenquência da luz,
calculando a guarda,
prevendo coisa com coisa que não se pode prever
enquanto também não cai?
não. não sei como, mas não sei
como a sensação de sensatez parece brotar deveras prudente quando nossas máscaras caem
no chão. quando a aparição pela exposição dos nossos erros ofusca qualquer verdade maior.
como retomar com maior força a consciência de ser errante no sonho único, que fica e começa
pela metade.

Friday, March 03, 2006

Falta de absurdo.

Esse não é um blog inteligente. Se é que, um "blog" ele venha a ser. Atualizo ele poquíssimas vezes. Não é um blog inteligente porque não pertence a um dono inteligente. Se eu fosse, utilizaria essa ferramenta inimaginável e prática, para fins lucrativos, altruísmo, terrorismo-onlline... mas, sei bem pouco ou quase nada além das matérias dos telejornais, e revistas. Acho que, no fundo, imagino a possibilidade de um E.T. no outro lado da tela, lendo ele - "o meu blog" -, e imaginando algum outro absurdo nunca visto antes no mundo dele.

Tuesday, February 21, 2006

leme-leve

sem futuro
sempre livre
sempre sempre