não adianta em que hora dizemos adeus,
ou volte logo,
logo estaremos sob a tutela da memória
que, embreagada de pudor,
obedece opiniosa ao julgo daquela data:
mesmo dia,
mesmo mês,
mesmo ano,
mesma coisa.
Thursday, January 31, 2008
Saturday, December 29, 2007
Hoje, Agora, Agorinha.
Sem nem me dar conta
- do que estava adiante -
acabei percebendo
como queremos alguém
que irá nos tornar felizes,
nos trazer o aroma que
A vida exala.
o romance dos livros,
do cinema, da própria Vida
Compreendi o fato de que não
existem dois se não houver um e um
A felicidade a abundância
são sentimentos que chegam até mim
e através de mim
Enviados por tantos e tantos pelo espaço.
Se estou buscando harmonia,
ao mesmo me torno ela
e parte da harmonia existente no universo
e isso é so uma parte
- do que estava adiante -
acabei percebendo
como queremos alguém
que irá nos tornar felizes,
nos trazer o aroma que
A vida exala.
o romance dos livros,
do cinema, da própria Vida
Compreendi o fato de que não
existem dois se não houver um e um
A felicidade a abundância
são sentimentos que chegam até mim
e através de mim
Enviados por tantos e tantos pelo espaço.
Se estou buscando harmonia,
ao mesmo me torno ela
e parte da harmonia existente no universo
e isso é so uma parte
Sunday, December 09, 2007
Impulso
o tempo não parou um instante até aqui.viajei dias até esse momento,e mal consigo separar passado e futuro.
o presente me é mais fácil conceber,porque é tão misterioso,
infinito, e essencialmente mágico...
me sinto irmão-próximoatraído e conectado pela distância da liberdade
e do que não é suscetível de um pleno entendimento.
é meu sentimento no instante que evoca o domínio do meu tempo,
a hora na minha noitea rua no meu caminhoa janela na minha sombraa sombra na minha mão
.dou voltas por diferentes lugares com meus olhos fixos no tempo,
e o aglomerado desse momento,dá vida ao movimento seguinte.
o presente me é mais fácil conceber,porque é tão misterioso,
infinito, e essencialmente mágico...
me sinto irmão-próximoatraído e conectado pela distância da liberdade
e do que não é suscetível de um pleno entendimento.
é meu sentimento no instante que evoca o domínio do meu tempo,
a hora na minha noitea rua no meu caminhoa janela na minha sombraa sombra na minha mão
.dou voltas por diferentes lugares com meus olhos fixos no tempo,
e o aglomerado desse momento,dá vida ao movimento seguinte.
Wednesday, December 05, 2007
01:55am
Inepto.
há momentos
onde seria bom não PENSAR.
ou não pensar no
que deveria PENSAR.
não PENSAR em algo que baste.
há momentos
onde seria bom não PENSAR.
ou não pensar no
que deveria PENSAR.
não PENSAR em algo que baste.
01:46am
tempos sem escrever.
e sem ler descentemente
um bom livro inteiro.
se eu fosse descrever
como termino meus dias atualmente,
eu diria,
que é o melhor momento
a melhor parte
a melhor hora
,
'o Dark Side of the Moon com o volume no talo
escutado pela primeira vez'
.
isso
por que não tenho aula,
o telefone não toca,
o carteiro não trabalha,
o povo da casa tá pelo terceiro sono,
os cachorros não tem fome - ou somente fazem menos zuada -,
a campainha não toca,
e a cozinha só tem o barulho do motor da geladeira.
na real não tô protestando contra nada citado.
sim, reavendo à minha necessidade humana de quietação espiritual.
que anda pra além-do-arco-íris da acepção da palavra 'paradoxal'.
mas isso não tem nada a ver.
se você pensar outro lado.
Pensar.
do Lat. pensare, freq. de pendere, suspender
v. int.,
formar ideias;
raciocinar, cogitar;
reflectir;
ter certo parecer;
julgar;
prever;
ter cuidado;
v. tr.,
imaginar;
julgar;
supor;
conjecturar;
calcular;
ter no espírito;
aplicar curativo a uma ferida;
medicar;
olhar pela limpeza, sustento e vestuário de uma criança;
dar penso ou ração ao gado;
s. m.,
pensamento;
opinião;
ponderação.
e sem ler descentemente
um bom livro inteiro.
se eu fosse descrever
como termino meus dias atualmente,
eu diria,
que é o melhor momento
a melhor parte
a melhor hora
,
'o Dark Side of the Moon com o volume no talo
escutado pela primeira vez'
.
isso
por que não tenho aula,
o telefone não toca,
o carteiro não trabalha,
o povo da casa tá pelo terceiro sono,
os cachorros não tem fome - ou somente fazem menos zuada -,
a campainha não toca,
e a cozinha só tem o barulho do motor da geladeira.
na real não tô protestando contra nada citado.
sim, reavendo à minha necessidade humana de quietação espiritual.
que anda pra além-do-arco-íris da acepção da palavra 'paradoxal'.
mas isso não tem nada a ver.
se você pensar outro lado.
Pensar.
do Lat. pensare, freq. de pendere, suspender
v. int.,
formar ideias;
raciocinar, cogitar;
reflectir;
ter certo parecer;
julgar;
prever;
ter cuidado;
v. tr.,
imaginar;
julgar;
supor;
conjecturar;
calcular;
ter no espírito;
aplicar curativo a uma ferida;
medicar;
olhar pela limpeza, sustento e vestuário de uma criança;
dar penso ou ração ao gado;
s. m.,
pensamento;
opinião;
ponderação.
Monday, November 05, 2007
Mania de ler jornal.
A pouco estava lendo o jornal.
Coisa que faço pela manhã, quando
irresponsavelmente falto a aula, ou
raramente acordo cedo e em disposição
intelectual, nalgum feriado ou fim de semana.
Assim que abro o jornal, vou direto no caderno Vida & Arte,
nas programações, e notícias de cinema e música,
e no caderno Buchicho, na sessão
de horóscopos.
Confesso, me apetece um bocado
ler sobre meu signo, e de pessoas próximas,
inclusive nos dias que as idéias dali
não se enquadram muito no meu contexto diário.
Uma das razões pra isso - e, sabe Deus, pra quantas outras coisas -,
é que não consigo controlar minha euforia,
no momento em que posso reunir uma ruma de respostas e perguntas, e outras óticas,
e sinto a existência de um espaço, que me modifica, e que posso modificá-lo.
Quando leio uma coisa, ou escuto, ou assisto, os três, ou mesmo, sonho,
e algo se aloja em mim, me emociona, parece vir à tona
algum pedaço de memória, a lembrança antiga de alguma coisa que só posso
não compreender totalmente,
e se estabelece dentro me mim e no mundo, um tipo de diálogo interminável.
Coisa que faço pela manhã, quando
irresponsavelmente falto a aula, ou
raramente acordo cedo e em disposição
intelectual, nalgum feriado ou fim de semana.
Assim que abro o jornal, vou direto no caderno Vida & Arte,
nas programações, e notícias de cinema e música,
e no caderno Buchicho, na sessão
de horóscopos.
Confesso, me apetece um bocado
ler sobre meu signo, e de pessoas próximas,
inclusive nos dias que as idéias dali
não se enquadram muito no meu contexto diário.
Uma das razões pra isso - e, sabe Deus, pra quantas outras coisas -,
é que não consigo controlar minha euforia,
no momento em que posso reunir uma ruma de respostas e perguntas, e outras óticas,
e sinto a existência de um espaço, que me modifica, e que posso modificá-lo.
Quando leio uma coisa, ou escuto, ou assisto, os três, ou mesmo, sonho,
e algo se aloja em mim, me emociona, parece vir à tona
algum pedaço de memória, a lembrança antiga de alguma coisa que só posso
não compreender totalmente,
e se estabelece dentro me mim e no mundo, um tipo de diálogo interminável.
Thursday, October 25, 2007
Costumeiro
.
me fascina o 'realismo'.
o sujeito de discurso realista.
a atual realidade.
talvez por não ser, eu, um realista.
ignorante e tranquilo comigo, não compreendendo
o tempo exato de vida
que circundam as coisas findas.
não me habituei a acreditar em coisas findas.
não me perguntem porque, mas só penso que há
um constante começo aqui e agora
- e um acolá que eu nunca vejo, ou poderia.
talvez esse o que eu mais acredite,
justo por não ver -.
podemos definir o 'invisível'
como o real que não é visto
e a realidade com o que nos
habituamos a não ver
.
me fascina o 'realismo'.
o sujeito de discurso realista.
a atual realidade.
talvez por não ser, eu, um realista.
ignorante e tranquilo comigo, não compreendendo
o tempo exato de vida
que circundam as coisas findas.
não me habituei a acreditar em coisas findas.
não me perguntem porque, mas só penso que há
um constante começo aqui e agora
- e um acolá que eu nunca vejo, ou poderia.
talvez esse o que eu mais acredite,
justo por não ver -.
podemos definir o 'invisível'
como o real que não é visto
e a realidade com o que nos
habituamos a não ver
.
Thursday, October 11, 2007
Quase agora
Tô ouvindo os últimos 20segundos de 'Vida em outros Planetas' .
Faixa do Cd de um caba bom, do Rio Grande do Sul, chamado Rafael Sonic. O nome é meio peba, mas o som serve de álibe, e tem na TramaVirtual. Um folkzimpopdespretencioso,
daqueles que, quando você, numa véspera de feriado, ficou em casa chocando na internet em vez
de viver mil aventuras que seus filhos nunca iriam saber,
consegue até lembrar de épocas luminosas da infância. Massa!
Faixa do Cd de um caba bom, do Rio Grande do Sul, chamado Rafael Sonic. O nome é meio peba, mas o som serve de álibe, e tem na TramaVirtual. Um folkzimpopdespretencioso,
daqueles que, quando você, numa véspera de feriado, ficou em casa chocando na internet em vez
de viver mil aventuras que seus filhos nunca iriam saber,
consegue até lembrar de épocas luminosas da infância. Massa!
Friday, September 28, 2007
Actual
.
se você olha por um tempo pro espelho
ver coisas que também veria
se não olhasse tanto pra ele?
.
se você olha por um tempo pro espelho
ver coisas que também veria
se não olhasse tanto pra ele?
.
Tuesday, September 18, 2007
Memórias
eu tenho uma gaveta tão cheia que nem sei mais o que tem dentro
tenho um violão sem cordas
eu tenho coragem e sei aonde eu vou
tenho fé, amigos, uma banda, e meu primeiro par de baquetas
eu tenho uma janela que dá pro jardim de trás da casa
um jardim que dá pro muro do vizinho
um muro que dá pro moinho no jardim-detrás do mesmo vizinho
e O moinho que dá pra um céu claríssimo na minha lembrança
tenho o caderno da minha sétima série todo rabiscado
de vários poemas esquisitos até pra mim
e desenhos daqueles tipo 'sr. palito'
- devidamente produzidos durante as aulas de química -
eu tenho sentimento que só a gota d´agua dentro do meu olhar
e é frequente persuardir-me com frases tipo 'os pensamentos transformam-se em coisas'
ou 'os pensamentos transformam coisas'
- quando repito-as, parece-me que cada uma quer dizer algo diferente da outra, do que eu disse, do que eu lembrei, do que não consigo recordar, e principalemente do que de fato não-aconteceu, ou existiu na minha memória -
.
tenho um violão sem cordas
eu tenho coragem e sei aonde eu vou
tenho fé, amigos, uma banda, e meu primeiro par de baquetas
eu tenho uma janela que dá pro jardim de trás da casa
um jardim que dá pro muro do vizinho
um muro que dá pro moinho no jardim-detrás do mesmo vizinho
e O moinho que dá pra um céu claríssimo na minha lembrança
tenho o caderno da minha sétima série todo rabiscado
de vários poemas esquisitos até pra mim
e desenhos daqueles tipo 'sr. palito'
- devidamente produzidos durante as aulas de química -
eu tenho sentimento que só a gota d´agua dentro do meu olhar
e é frequente persuardir-me com frases tipo 'os pensamentos transformam-se em coisas'
ou 'os pensamentos transformam coisas'
- quando repito-as, parece-me que cada uma quer dizer algo diferente da outra, do que eu disse, do que eu lembrei, do que não consigo recordar, e principalemente do que de fato não-aconteceu, ou existiu na minha memória -
.
Thursday, August 09, 2007
Um nada
falar do amor
sensação de comoção
mesmo do dissabor
é tão belo
e como soa raro o falar
vem pertinente à beleza
ou alguma beleza Maior que essa
é um gozo de acreditar, falar de amor
uma verdade sem distração
o estranho mais fabuloso perto da porta
a língua e tradução de um nada definitivo
pó que cria
um nó que desata
um nada que some e faz falta
sensação de comoção
mesmo do dissabor
é tão belo
e como soa raro o falar
vem pertinente à beleza
ou alguma beleza Maior que essa
é um gozo de acreditar, falar de amor
uma verdade sem distração
o estranho mais fabuloso perto da porta
a língua e tradução de um nada definitivo
pó que cria
um nó que desata
um nada que some e faz falta
Monday, August 06, 2007
Falou Fernando
O AMOR, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há-de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
P'ra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe,
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...
Fernando Pessoa
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há-de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
P'ra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe,
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...
Fernando Pessoa
Tuesday, July 10, 2007
O ontem e a infância.
Escrever sobre ontem
normalmente não
é uma tarefa fácil pra mim.
Falar, porém, de um passado
que de fato não existiu,
é naturalmente algo que
faço com maior fluidez.
Essa tendência a composição
do meu próprio tempo, e realidade, é
um traço, deveras paradoxal,
que carrego desde a infância
(Brincar de 'Que ninguém pode ver a gente',
expressão recorrente que eu e meu irmão
usáva-mos num ato de viveza,
onde nos escondíamos dos nossos pais,
debaixo da mesa, atrás do sofá, da porta,
no breu do corredor,
e, mesmo sabendo que eles nos viam,
nós dois, pra um lado e outro da casa, sabíamos dar importância
a aquela configuração de talvez estar invisível,
e poder olhar o mundo da maneira que queríamos.
Era o que nos nutria de um misto de
raciocínio e agudeza de espírito, que
até hoje sinto como uma espécie de perfume-atemporal,
que pra sempre, seduz tudo que atravessa o que é rigor e criterioso em mim,
e conduz minha infância e paz de espírito a um lugar comum).
normalmente não
é uma tarefa fácil pra mim.
Falar, porém, de um passado
que de fato não existiu,
é naturalmente algo que
faço com maior fluidez.
Essa tendência a composição
do meu próprio tempo, e realidade, é
um traço, deveras paradoxal,
que carrego desde a infância
(Brincar de 'Que ninguém pode ver a gente',
expressão recorrente que eu e meu irmão
usáva-mos num ato de viveza,
onde nos escondíamos dos nossos pais,
debaixo da mesa, atrás do sofá, da porta,
no breu do corredor,
e, mesmo sabendo que eles nos viam,
nós dois, pra um lado e outro da casa, sabíamos dar importância
a aquela configuração de talvez estar invisível,
e poder olhar o mundo da maneira que queríamos.
Era o que nos nutria de um misto de
raciocínio e agudeza de espírito, que
até hoje sinto como uma espécie de perfume-atemporal,
que pra sempre, seduz tudo que atravessa o que é rigor e criterioso em mim,
e conduz minha infância e paz de espírito a um lugar comum).
Monday, June 25, 2007
Fluxo
25/07/07
O afeto pelo que é vivido surge
E o amargo do que foi só pensamento
Me perdeu outra vez
Para a profunda sensação de estar vivo
De ser aquele que toca o Instante e é vida
Que não conspira o silêncio corrosivo
e carrasco de tudo que é movimento contrário ao seu
O afeto pelo que é vivido surge
E o amargo do que foi só pensamento
Me perdeu outra vez
Para a profunda sensação de estar vivo
De ser aquele que toca o Instante e é vida
Que não conspira o silêncio corrosivo
e carrasco de tudo que é movimento contrário ao seu
Monday, May 28, 2007
Rinite e sono grande.
Florzinha amarela
I)
acordei agora.
"outro sonho estranho".
a dor no zói, e na cabeça,
lembravam-me, exaltadas.
(...)
no sonho,
eu andava até a
cozinha da minha casa,
ia até a grade que
levava a entrada:
E o jardim inteiro
havia sido tomado de uma planta,
que tinha vários formatos e
tamanhos, de uma mesma florzinha amarela.
lembro de ter achado bonito.
havia muita tranquilidade,
e em mim logo firmou-se.
- tava bastante claro. mas na medida em que
meus zói não ardiam.
Aquela luz branda,
era mais como um véu de luz, sobre o jardim.
lembrou-me 'A lenda'.
aquele filme réi dazantiga,
com o Tom Cruise bem novim. -
quando me dei conta,
aquela Florzinha amarela
seguia brotando na ponta do meu dedo.
bem rapidamente seguiu pela mão,
e já no caminho do braço,
esfreguei a outra mão, limpando, assustado.
então me afastei
em direção meu quarto. tudo normal.
fui conversar com algúem (acho que era o Divino).
até que sinto uma coceirinha nas costas.
olhei meu braço esquerdo espantado.
Agora brotava a Florzinha novamente,
sendo em crescimento maior que a outra,
e espalhava-se com maior rapidez, cobrindo já quase todo meu corpo.
saí correndo devolta pra cozinha.
lá haviam outras pessoa (quatro no máximo),
que, não sei, se não conhecia, ao não as enchergava bem,
mas que também estavam cobertas da
florzinha amarela,
já quase o corpo inteiro.
nesse momento em diante,
não conseguia conter a ação da florzinha,
brotando em mim.
não havia espelho por perto,
mas acho que virei a planta do jardim,
no fim do sonho.
II)
acordado antes.
acabou o ensaio.
as coisas (cabo, guitarra, teclado, ...)
já tavam no carro,
e eu esperava a negada
do lado de fora do
sítio do Dourado.
em torno do terreno da frente,
havia uma planta de florzinha amarela,
que minha cabeça, sabe deus por quê,
sugeria-me que ia atéee
o fim da rua,
de uma ponta a outra do quarteirão.
na planta tinham várias
dessas abelhinhas escuras
- meus primos mais velhos chamam de 'marinbondo'.
e lai se vem as marmota:
o Cabeça e o Divino no Ademar
(Ademar é o carro do Cabeça... a verdadeira arca que Noé não teve.
leva instrumento, nois 4,
nois 5, nois 6, 7, 8, 9,
a banda toda).
eles atravessam a entrada do sítio,
chegando na rua.
vou na direção deles e da porta do carro.
no Ademar, aguardamos o Dourado fechar
as portas, portão, do sítio.
todo mundo cansado, sim, mas só o normal.
o rumo de casa
era o de sempre.
céu bem clarim,
o 'sol cegando o zói do nego',
e eu coçava e fechava,
os olhos, constantemente.
tinha acordado com rinite-braba,
e o dia todim foi:'atchooow!'
a negada me deixou em casa,
depois foram a casa do cabeça
passar 'o som da fita pro pc', com músicas nossas.
fiz o intinerário de sempre:
três vezes entrando
e duas saindo, pelo portão grande da área,
levando e arrumando parte
dos instrumentos da banda,
que guardo aqui.
cheguei na cozinha, e 'tinha era nada pra comer' - táqueo pariu -.
e eu com uma fome de trecontonte, e paciência de marinbondo,
comi só besteira (hehe).
depois falei com a Adéle no msn,
coisa pouca sobre o cine ceará,
e que ela tem carinha de nenem.
- quando digo isso,
ela faz cara brava.
mas além de estar
em constante proceso de apaixonamento
por ela, que é linda,
ela tem tem cara de nenem mesmo. -
até que tratei de capotar
na minha cama.
a rinite a essa altura
tava 'nas tampa da marmita do alpinista'.
Monday, April 16, 2007
Espelho
espelho não mente.
não sente calor,
nem dor nas costas,
coceira não sente.
espelho não revida.
não se parte
em vários cacos-injuriados.
espelho não cura.
no chão, em pedaços,
não segura a estampa
ali madura,
do caju no cajueiro.
espelho não cria efeito-
não explica a sensação.
é de cabeça pra baixo,
o mesmo,
de uma ponta a outra,
igual.
foi com o homem que
inspirou solitária
a sua musa
na janela do avião
e para o homem
que crusou o atlântico
de barco, intacto,
embalado, debaixo de chuva.
o espelho nada percebe:
desatino fatal,
ou destino glorioso.
antigo ou novo,
reflete obsoleto
o olho cavado fora dele,
no único-rosto de vários homens,
ou homem único de vários olhos.
espelho não mente.
não sente calor,
nem dor nas costas,
coceira não sente.
espelho não revida.
não se parte
em vários cacos-injuriados.
espelho não cura.
no chão, em pedaços,
não segura a estampa
ali madura,
do caju no cajueiro.
espelho não cria efeito-
não explica a sensação.
é de cabeça pra baixo,
o mesmo,
de uma ponta a outra,
igual.
foi com o homem que
inspirou solitária
a sua musa
na janela do avião
e para o homem
que crusou o atlântico
de barco, intacto,
embalado, debaixo de chuva.
o espelho nada percebe:
desatino fatal,
ou destino glorioso.
antigo ou novo,
reflete obsoleto
o olho cavado fora dele,
no único-rosto de vários homens,
ou homem único de vários olhos.
a gente e drummond.
Ausência
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Friday, April 13, 2007
Sobre a distância
.
respeitar o silêncio do outro.
essa vontade de afogar pensamentos avulsos
na evasão do horizonte.
com o corpo omisso,
escrever nos olhos de quem ama:
a pura comoção
dos sentimentos dispostos ao longo dia
-
sensação escura que anoitece o homem
e não dura mais que um dia.
respeitar o silêncio do outro.
essa vontade de afogar pensamentos avulsos
na evasão do horizonte.
com o corpo omisso,
escrever nos olhos de quem ama:
a pura comoção
dos sentimentos dispostos ao longo dia
-
sensação escura que anoitece o homem
e não dura mais que um dia.
Tuesday, April 10, 2007
A mesma música, eu num sei quantas veiz.
.
poema oculto
não consigo extrair esse poema
que pousou feito estrela em mim.
vejo fio dele enquanto escuto uma valsa.
leio pedaços em outros poemas.
escuto-o quando vejo brilhar um par de olhos
bem perto, uma foto.
tento em vão ditar o que de mim sobrevive ao tempo,
ou o quê do mundo é são e belo,
ao querer atingir o ruído dos passos
desse poema que ocultou-se em mim - ou oculto já existia.
mas só ouso enchergá-lo.
pois jura meu coração em contestação
ao toque percebê-lo de um lado do peito,
no mesmo instante em que brota livre essa saudade e esperança,
do lado esquerdo do mesmo peito,
de enchergar tanta estrela que eu não via.
.
poema oculto
não consigo extrair esse poema
que pousou feito estrela em mim.
vejo fio dele enquanto escuto uma valsa.
leio pedaços em outros poemas.
escuto-o quando vejo brilhar um par de olhos
bem perto, uma foto.
tento em vão ditar o que de mim sobrevive ao tempo,
ou o quê do mundo é são e belo,
ao querer atingir o ruído dos passos
desse poema que ocultou-se em mim - ou oculto já existia.
mas só ouso enchergá-lo.
pois jura meu coração em contestação
ao toque percebê-lo de um lado do peito,
no mesmo instante em que brota livre essa saudade e esperança,
do lado esquerdo do mesmo peito,
de enchergar tanta estrela que eu não via.
.
Friday, March 23, 2007
Ultimamente
.
Série - Na minha e outras vozes.
Ultimamente não tenho conseguido escrever.
Agora mesmo, tomei água enquanto pensava nesse fato,
e no tempo que leva,
da cozinha ao corredor,
do corredor as teclas do computador,
e das teclas ao texto em pensamento
(que na verdade nunca deixo de escrever,
o da tela em branco é que sim).
Acontece, que meus sentidos curvam-se ao calor e a velocidade do dia
com entendimento e comoção,
mas então respondo a essa comoção e entendimento,
com um abafamento em mim e no mundo,
nutrido por um esquecimento terrível, que parece crescer
alimentado pelo meu próprio medo de vê-lo maior
(e que a beleza do mundo que me cerca diariamente)
- enquanto eu ando até a parada do ônibus,
rumo a faculdade, e outras pessoas que nunca vi, atravessam essa mesma rua
e seguem outra direção, ou dobram logo em seguida, e somem como aparecem, inteiras e ausentes, sem precisar explicar coisa de nada da vida delas.
Várias coisas aconteceram, misturaram-se pra que então,
esse momento dramático de média ou quase nenhuma escrita e aprendizado,
acontecesse, de fato.
Pouco escrever,
considerando não só
a proporção do que é escrito,
mas a validade e peso sutil das palavras,
que passa a preencher espaços vazios, paisagens nativas,
que se quer existiam,
e a sensibilidade e resistência
física e mental, diária,
da mente sob doses de insistência
do esquecimento e intolerância humana,
talvez não chegue a transcender.
Diante, de vista,
da capacidade talvez infinita do homem
de evasão da realidade.
Esse instante sem tanta inspiração,
calado, com o corpo e entendimento
amuado na mente, em mim,
na minha e outras vozes,
é também a voz rouca da fertilidade,
que goteja e anuncia a tempestade,
fruto de um trovão.
Série - Na minha e outras vozes.
Ultimamente não tenho conseguido escrever.
Agora mesmo, tomei água enquanto pensava nesse fato,
e no tempo que leva,
da cozinha ao corredor,
do corredor as teclas do computador,
e das teclas ao texto em pensamento
(que na verdade nunca deixo de escrever,
o da tela em branco é que sim).
Acontece, que meus sentidos curvam-se ao calor e a velocidade do dia
com entendimento e comoção,
mas então respondo a essa comoção e entendimento,
com um abafamento em mim e no mundo,
nutrido por um esquecimento terrível, que parece crescer
alimentado pelo meu próprio medo de vê-lo maior
(e que a beleza do mundo que me cerca diariamente)
- enquanto eu ando até a parada do ônibus,
rumo a faculdade, e outras pessoas que nunca vi, atravessam essa mesma rua
e seguem outra direção, ou dobram logo em seguida, e somem como aparecem, inteiras e ausentes, sem precisar explicar coisa de nada da vida delas.
Várias coisas aconteceram, misturaram-se pra que então,
esse momento dramático de média ou quase nenhuma escrita e aprendizado,
acontecesse, de fato.
Pouco escrever,
considerando não só
a proporção do que é escrito,
mas a validade e peso sutil das palavras,
que passa a preencher espaços vazios, paisagens nativas,
que se quer existiam,
e a sensibilidade e resistência
física e mental, diária,
da mente sob doses de insistência
do esquecimento e intolerância humana,
talvez não chegue a transcender.
Diante, de vista,
da capacidade talvez infinita do homem
de evasão da realidade.
Esse instante sem tanta inspiração,
calado, com o corpo e entendimento
amuado na mente, em mim,
na minha e outras vozes,
é também a voz rouca da fertilidade,
que goteja e anuncia a tempestade,
fruto de um trovão.
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